Friday, December 02, 2005

INTERNATIONAL: Mulher com primeiro transplante facial recupera bem


A mulher de 38 anos submetida no domingo a um transplante facial inédito na história da medicina está a recuperar bem do ponto de vista clínico, psicológico e imunológico, revelou hoje o cirurgião Jean-Michel Dubernard.

O chefe do Serviço de Transplantes do Hospital Universitário de Lyon (sudeste francês) - que realizou o primeiro implante de uma mão em 1988 e de um antebraço em 2000 - esteve acompanhado pelo chefe do Serviço Maxilofacial do Hospital Universitário de Amiens (norte) ao falar numa conferência de imprensa.

Os cirurgiões verificaram com agradável surpresa, logo na segunda-feira, que a coloração e textura do implante do queixo, boca, nariz e de uma parte da bochecha retirados a uma mulher em estado de morte cerebral encefálica no Hospital Universitário de Lille (norte) - com prévia autorização da família -, ultrapassavam as suas melhores expectativas.

Quando a paciente acordou, após 15 horas de anestesia, Dubernard recordou que a primeira palavra dita foi: «Obrigado».

Retirada a traqueotomia, olhou abismada para a sua nova cara, que pertencera a outra pessoa. Depois, pôde beber um sumo de frutas e café, e comer morangos e chocolate.

Para evitar o risco de rejeição, a receptora, desfigurada pelas mordeduras de um cão de raça labrador, foi sujeita a um tratamento imunológico e a infiltrações de células da medula óssea da doadora, precisou Dubernard.

O professor adiantou que a sua paciente - divorciada e mãe de duas adolescentes - foi posta ao corrente de todos os riscos que enfrentava, por se tratar de uma intervenção sem precedentes: «Um por cento dos transplantados pode vir a padecer de linfomas (cancro), um terço morre, outro terço rejeita o implante e os restantes superam a operação».

Da doadora foram retirados a pele, tecidos subcutâneos, massa muscular, veias e artérias. Como a legislação francesa obriga à restituição digna do cadáver à família, uma equipa de especialistas levou a cabo uma «restauração apreciável», frisou a directora da Agência de Biomedicina do Ministério da Saúde, Carine Canby, também presente na conferência de imprensa.

Candy acentuou que «foram escrupulosamente respeitados todo os protocolos, e tomadas as precauções médicas e éticas que se impunham neste caso», bem como «alertada a paciente para o perigo de se tornar alvo do interesse dos Media».

In Diário Digital / Lusa

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